Querida destinotária, eu,
Era uma
manhã cinzenta, provavelmente por causa da demasiada fumaça que saía pelo
escapamento dos carros da movimentada avenida. Olhava pela janela, não me contive e comecei a pensar sobre os detalhes daquela cena que são, nada mais nada menos
do que uma simples imaginação. Eu sabia que escrever uma história na minha
mente iria se perder com o tempo, assim como esse papel, que não estará mais
tão bem conservado quanto agora. Mas estou mesmo é escrevendo histórias para o
agora, não me importo com depois. Não quero me importar, para ser sincera.
Eu sabia que
aquela cena que talvez eu estivesse vendo, era só mais uma mera lembrança
barata. Ou nem de fato estivesse acontecendo. Escrevo sobre elas, e é ridículo.
Não que eu
não goste de escrever sobre mas, uma menina que passa quase todos os dias no
quarto esperando por algo que nunca chegará, não tem outra opção a não ser
escrever sobre emoções vazias e lembranças baratas.
Vagamente
está me ajudando.
Tentar
buscar ajuda em si mesma talvez seja bom. Achar o lado bom da tristeza, que eu
acredito que seja mais uma espécie de realismo, talvez seja bom também. Ou
esteja sendo bom por enquanto.
Nada disso
faz sentido, mas não quero que faça.
Talvez eu
esteja meio perdida no tempo e espaço. Mas, eu sou o mundo que criei.
Esses dias,
eu estava pensando sobre minha vó, e me deu vontade de chorar e lamentar sua
morte. Mas, foi totalmente controlável quando eu pensei que na realidade eu estava
era sentindo pena de mim, não dela. Chorando por mim.
Acho que
consegui controlar. Talvez por um tempo, isso não seria mais um motivo para
chorar.
Aquele dia terminou com mais um texto
jogado fora. O dia terminou da mesma forma que ele começou, cinzento.