segunda-feira, 2 de novembro de 2015


     Querida destinotária, eu,

     Era uma manhã cinzenta, provavelmente por causa da demasiada fumaça que saía pelo escapamento dos carros da movimentada avenida. Olhava pela janela, não me contive e comecei a pensar sobre os detalhes daquela cena que são, nada mais nada menos do que uma simples imaginação. Eu sabia que escrever uma história na minha mente iria se perder com o tempo, assim como esse papel, que não estará mais tão bem conservado quanto agora. Mas estou mesmo é escrevendo histórias para o agora, não me importo com depois. Não quero me importar, para ser sincera.
     Eu sabia que aquela cena que talvez eu estivesse vendo, era só mais uma mera lembrança barata. Ou nem de fato estivesse acontecendo. Escrevo sobre elas, e é ridículo.
     Não que eu não goste de escrever sobre mas, uma menina que passa quase todos os dias no quarto esperando por algo que nunca chegará, não tem outra opção a não ser escrever sobre emoções vazias e lembranças baratas.
     Vagamente está me ajudando.
     Tentar buscar ajuda em si mesma talvez seja bom. Achar o lado bom da tristeza, que eu acredito que seja mais uma espécie de realismo, talvez seja bom também. Ou esteja sendo bom por enquanto.
     Nada disso faz sentido, mas não quero que faça.
     Talvez eu esteja meio perdida no tempo e espaço. Mas, eu sou o mundo que criei.
     Esses dias, eu estava pensando sobre minha vó, e me deu vontade de chorar e lamentar sua morte. Mas, foi totalmente controlável quando eu pensei que na realidade eu estava era sentindo pena de mim, não dela. Chorando por mim.
     Acho que consegui controlar. Talvez por um tempo, isso não seria mais um motivo para chorar.
     Aquele dia terminou com mais um texto jogado fora. O dia terminou da mesma forma que ele começou, cinzento.

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